Cadê meu 1%?? O que faço agora?

Cadê meu 1%? " Você garante ao menos  uma remuneração de 1% ao mês neste tipo de aplicação?"

Esta sem dúvida é a frase que mais escutei nesses quase 10 anos (que completo este ano) trabalhando com investimentos.

Deve haver uma razão antropológica pare este número mágico estar presente na mente de 11 em cada 10 investidores no Brasil, provavelmente fruto de anos e anos de taxas de juros mais altas o que manteve o Brasil folgadamente na liderança no ranking de taxas reais.

Contextualizando

Em 2011, numa tentativa meio tosca do Governo Dilma de baixar os juros a “fórceps”, este cenário de paraíso dos rentistas parecia estar chegando ao fim. Na época, até escrevi um artigo intitulado "A hora do risco", que suscitava a expulsão dos investidores do Éden de investimentos com alta rentabilidade e baixo risco, onde antevia a necessidade dos mesmos de terem que abandonar a zona de conforto e buscar novos rumos para seus investimentos.

Bem, em essência o que escrevi fazia sentido para aquele novo cenário. Mas por razões que todos já conhecemos e não pretendo discutir neste artigo, o que parecia uma expulsão se transformou em "Vou ali e já volto".

O "Calvário" durou apenas o tempo para causar um certo desconforto, movimentar alguns músculos que pareciam necrosados e rapidamente retomamos a velha rotina do 1%. Nos momentos finais e agonizantes esta taxa já estava sendo considerada ruim (e insano).

Pois muito bem. Eis que assume uma nova equipe econômica, que resolve atacar a principal causa que nos levou ao caos e de uma forma até discreta, mas cirúrgica, está colocando o Brasil em outra rota, retomando os pilares da disciplina fiscal e controle inflacionário.

Hummm... perai  Momberger, o que você quer dizer com isso? Vão tentar me expulsar do Paraíso novamente?

Exatamente! Só que desta vez não me parece tratar-se de um "passeio".  

existe consenso por parte dos principais economistas e gestores que a trajetória de juros no Brasil é claramente descendente e deve baixar dos dois dígitos ainda este ano. Mantidas as condições de temperatura e pressão para 2018 até a "Nova Poupança" deve ressuscitar, pois SELIC a 8% ao ano não é nenhuma loucura.

Mas e agora, o que devo fazer?

Mas e agora, o que devo fazer?

Bem, existem algumas ações relativamente simples no curto prazo que podem lhe conceder uma "prorrogação" do aviso de despejo. Você não vai escapar, mas pode ficar por um pouco mais de tempo.

Então vamos ao que interessa com algumas medidas:

Buscar os prazos mais longos possíveis.

  • Existem emissores com taxas pré-fixadas com horizonte de até 3 anos com taxas superiores a 12% a.a. (ainda);
  • Procure taxas, mesmo que pós-fixadas, mais agressivas, na faixa de 118% do CDI, pois mesmo que elas caiam na curva futura de juros esta "gordura" mantém as taxas em média nos próximos dois anos, próximas de 12%;
    Títulos Públicos
  • Títulos Públicos (NTNBs) acima de 2035 ainda oferecem uma janela de oportunidade, pois um cenário de taxas descendentes oferecem um possível ganho de PU (preço unitário) no momento da saída (mesmo que antecipada);
  • Emissões de crédito privado isentas de IR. Aqui um detalhe importante: procure saber junto a sua Instituição financeira se existe "formador de mercado", pois isso garante uma certa liquidez para saídas antecipadas e ganhos de PU na curva. Saiba mais sobre essas alternativas clicando aqui.

Essas seriam atitudes ainda conservadoras, que apenas "prorrogam o jogo". Essas ações são possíveis para qualquer investidor e não exigem grande conhecimento. A partir daí temos que sair da zona de conforto e buscar um pouco mais de risco. O jogo já é um pouco diferente. Vamos então para o segundo Round.

Ações que você deve tomar para o futuro

Estudar as categorias de fundos multimercados

Comece a estudar as categorias de fundos multimercados, pois em cenários de juros mais baixos, bons gestores conseguem se destacar e vencer o CDI, fica menos complexo. Num primeiro momento estude categorias LOW VOL para perder o medo e posteriormente parta para fundos MACRO, High Yield, Long and short, FDCIs, equityes, hedge e feeders; Saiba mais sobre Fundos de Investimento.

Emissões de crédito privado

Emissões de crédito privado costumam ser mais agressivas que títulos públicos. Emissores menos óbvios pagam um prêmio de risco interessante que valem uma observada. Não necessariamente significam altíssimo risco. Existe, mas controlado;

Crédito Privado

Diversificação de portfólio

Pense no mercado de renda variável como diversificação de portfólio. Se não conhece e não sabe comprar ações, inicie com fundos FIA. Delegue a um bom gestor a alocação, mesmo que ainda pequena, para sentir como você se comporta diante da volatilidade. Se já for mais experiente, pode montar sua própria carteira com ajuda de algum advisor ou analista. Saiba mais sobre Ações.

Abertura de Capital

Cenários de estabilidade trazem novamente a possibilidade de novas ofertas publicas (IPO). As famosas aberturas de capital. Se estivermos diante de uma boa história de sucesso, pode ser o melhor momento de tornar-se sócio de um bom projeto;

Fundos Imobiliários

Na minha visão uma das formas mais inteligentes de participar do mercado de imóveis, em especial, mercado de locação. Isenção tributária, gestão profissional, diversificação de portfólio, vacância mais baixa trazem esta alternativa de investimento de volta ao jogo. E com força. Saiba mais sobre Fundos Imobiliários.

Fundo Imobiliários

Investimentos OFF Shore

Investindo somente no Brasil você participa de apenas 1% de tudo que acontece no mundo. Já é possível acessar mercados internacionais ou de forma direta ou através de fundos (com ou sem exposição cambial). A partir de 25 mil dólares já é possível participar desta modalidade de investimentos. Eu tenho uma palestra específica sobre este tema disponível apenas para clientes, mas se você tiver interesse é só me escrever solicitando que te envio o link.

Notas estruturadas

No Brasil mais conhecidas como COE. São dezenas de possibilidades de investimentos dentro e fora do Brasil , na maior parte com capital protegido oferecendo ganhos que podem incluir cupons semestrais ou ate mesmo participação de upside em mercados acionários. Num primeiro momento podem parecer complexas, mas são mais simples do que você imagina. Quanto mais baixas as taxas reais de juros, mais atraente este instrumento, pois seu maior risco é o de oportunidade.

Existem ainda outras possibilidades, um pouco mais complexas, mas que prefiro deixar para um outro artigo, pois não quero te assustar (risos).

Concluindo

Chegou a "A Hora do Risco - Parte II - O Retorno".  

Prepare-se.  Estude. Conheça. Busque alternativas. Saia da zona de conforto.

Quando eu ainda trabalhava na indústria, eu tive um chefe muito perspicaz que me dizia: "Navegar em rio cheio é muito fácil. Quando baixa a maré é separamos os adultos das crianças"

A Maré está baixando. E rápido!

Espero que tenha sido útil e como sempre aguardo comentários, dúvidas, e conte comigo no que precisar para avançar nesta área de alocação de portfólio.

Grande abraço!
André Momberger

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